Instituto de Mediação e Arbitragem de Portugal

Encerramento do Servicio de Mediación Social Intercultural del Ayuntamento de Madrid

 Texto de Juan Carlos Vezzulla

Estamos de luto. Este serviço, que funcionou por mais de uma década com resultados importantíssimos e que foi modelo para o mundo todo, acaba de ser encerrado. Não há desculpas orçamentárias, não há desculpas de má pratica. Não há desculpas.

Um claro exemplo do retorno dos paradigmas obsoletos do assistencialismo. Esse serviço, realmente emancipador e gerador de autogestão entre os imigrantes, organizado por Carlos Gimenez (grande mediador social pioneiro da mediação comunitária) e coordenado por Fadhila Mammar (excelente mediadora intercultural de prestigio mundial) é apenas mais um exemplo de como a mediação perturba e quanto maior o sucesso, maior a repressão que sofre.

A mediação perturba quando atende as necessidades das pessoas e das comunidades, quando respeita as identidades, quando capacita para o exercício da autodeterminação.

A mediação perturba quando desenvolve as capacidades das pessoas e das comunidades para dialogarem, cooperarem, solidarizarem-se e decidirem.

É o nosso compromisso seguir perturbando. Uma sociedade justa e pacífica somente poderá ser atingida quando cada um e todos os seus membros estejam em condições de participar e decidir sobre suas vidas. Uma sociedade adulta e aquela que não precisa de que outros decidam por ela. Uma sociedade que pode por si mesma atender e resolver seus conflitos.

Esta situação deve servir de alerta e deve fortalecer e confirmar que estamos no caminho certo. A mediação é o meio apropriado. 

Leia a carta de despedida de Carlos Gimenez e Fadhila Mammar que anexamos.

Carta de Carlos Gimenez e Fadhila Mammar

2 Comentários a “Encerramento do Servicio de Mediación Social Intercultural del Ayuntamento de Madrid”

  1. Maria João Bravo diz:

    Uma porta fechada, abre mil janelas.
    Destas pode-se ver para além do horizonte e pode-se simultaneamente , saltar para o exterior , abrir novas portas, novos projectos, novos senhos
    É nesta prespectiva optimista, persistente e lutadora que incentivo a continuação do excelente trabalho que tem sido realizado.
    Um beijo,
    Maria João Bravo

  2. Fátima Moreira diz:

    Ouvi o Professor Juan Carlo Vezzulla em video conferência sobre este assunto. Acredito que este disse tudo. O empowerment das populações e das chamadas minorias étnicas ou culturais assusta o poder executivo. Contudo com a nossa persistência, a sensibilização e a consciencialização daqueles para quem efectivamente trabalhamos, os nossos mediados, levaremos esta nau a bom porto, ainda que demore mais que dobrar o Cabo das Tormentas, depois chamado da Boa Esperança. Prossigamos …. Bem hajam todos os que se envolvem!

Escreva um comentário